Normas da Vigilância Sanitária para Clínicas Veterinárias: o guia prático para cumprir a lei, proteger pacientes e fortalecer sua autoridade profissional.
- Roberto Pereira
- 26 de nov. de 2025
- 4 min de leitura

Abrir e manter uma clínica veterinária vai muito além do amor pelos animais: exige conformidade com normas técnicas, licenciamento e boas práticas de biossegurança. Cumprir essas normas protege a saúde pública, evita multas e interdições, e constrói reputação, essencial para fidelizar tutores e crescer no mercado.
Neste guia de Normas da Vigilância Sanitária para Clínicas Veterinárias você encontrará os pontos legais centrais, as exigências práticas mais recorrentes nas fiscalizações e um checklist aplicável no seu dia a dia. As recomendações abaixo estão embasadas em documentos oficiais do CFMV, conselhos regionais, Anvisa, referências técnicas e guias de vigilância sanitária.
1. Quem define e quem fiscaliza as normas da Vigilância Sanitária para Clínicas Veterinárias?
Conselhos de Medicina Veterinária (CFMV/CRMVs): definem condições mínimas de estrutura, equipamentos e responsabilidade técnica para consultórios, clínicas e hospitais veterinários (ex.: Resolução CFMV nº 1275/2019 e outras normas sobre estrutura e responsabilidade técnica).
Vigilância Sanitária (municipal/estadual e Anvisa): atua sobre aspectos de higiene, controle de produtos (medicamentos, vacinas), armazenamento, resíduos e aspectos que impactam a saúde pública; as secretarias estaduais/municipais costumam ter Regulamentos Técnicos específicos que detalham exigências locais.
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA): competência sobre registro e fiscalização de medicamentos e produtos de uso veterinário (quando aplicável), em cooperação com Anvisa e conselhos profissionais.
2. Requisitos estruturais e de equipamentos (o básico que costuma cair em vistoria)
Baseado nas resoluções e guias técnicos, os itens frequentemente exigidos são:
Ambiente de recepção e espera com acessibilidade e higiene.
Sala(s) de atendimento com mesa impermeável, pia para higienização das mãos dentro da sala ou em vão próximo, iluminação adequada e superfície lavável.
Refrigeração exclusiva para vacinas, antígenos, medicamentos e materiais biológicos, com controle de temperatura e registro diário.
Arquivo médico (físico e/ou informatizado) para prontuários, responsáveis técnicos e registros de antivirais/antibióticos e prescrições.
Balança adequada, armários para medicamentos, local para atendimento cirúrgico quando declarado, e infraestrutura específica para internação quando aplicável.
3. Biossegurança e controle de infecções
Protocolos de limpeza e desinfecção: rotina documentada para superfícies, materiais e áreas de risco (salas de cirurgia, anestesia, zonas de isolamento). Guias técnicos e a vigilância recomendam procedimentos padronizados e produtos registrados.
EPI e capacitação: disponibilização de Equipamentos de Proteção Individual para a equipe (luvas, aventais, máscaras quando indicado) e treinamento registrado.
Controle de zoonoses: triagem e protocolos para animais com suspeita de doenças transmissíveis (isolamento, notificação quando exigido). A Vigilância Sanitária pode exigir fluxos de atendimento específicos.
4. Medicamentos, vacinas e insumos: armazenagem e rastreabilidade
Medicamentos veterinários: devem seguir normas de registro, armazenamento e manuseio. Anvisa e MAPA regulam aspectos de produtos que impactam a saúde pública (ex.: antibióticos, antiparasitários), com prazos e requisitos específicos. Mantenha notas fiscais, lote e validade e registros de controle de uso.
Vacinas e cadeia de frio: unidade refrigerada exclusiva e termômetros/registradores; registros diários de temperatura e plano de ação para desvios. Fiscalizações costumam solicitar histórico de temperaturas para comprovar integridade.
5. Gestão de resíduos (PGRSS) e efluentes.
Estabelecer Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS) adaptado à realidade veterinária: segregação na fonte, acondicionamento, rotulagem, contratos com transportadoras licenciadas e destinação final conforme legislação local. A vigilância exige documentação e comprovação de destinação adequada.
6. Documentação obrigatória e responsabilidade técnica.
Registro no CFMV/CRMVs do estabelecimento e do médico-veterinário responsável técnico (RT). Declaração de atividades (internação, cirurgias) e plantões quando aplicável.
Protocolos escritos: fluxos de atendimento, protocolos anestésicos, SOPs de biossegurança, planilha de controle de vacinas/medicamentos, e registros de treinamentos. Esses documentos demonstram gestão e ampliam a defesa em uma fiscalização.
7. O que costuma gerar autuação. Erros frequentes que você deve evitar
Falta de RT ou RT não presente em documentos oficiais.
Armazenamento inadequado de vacinas/medicamentos (ausência de controle de temperatura).
Ausência de PGRSS ou destinação irregular de resíduos biológicos
Falta de prontuários ou registros incompletos (prescrições, anotações de cirurgias).
8. Checklist prático para a sua clínica (imprima e use)
Registro do estabelecimento no CRMV e nomeação do RT
Licenciamento sanitário municipal/estadual e alvarás atualizados
Sala de atendimento com mesa impermeável e pia funcional.
Refrigeração exclusiva p/ vacinas; termômetro e registros de temperatura diários
Protocolos de limpeza e de controle de infecção por escrito e assinados.
PGRSS implementado e contrato de coleta com empresa licenciada.
Controle de estoque de medicamentos com notas fiscais, lotes e validade.
Prontuário do paciente (físico ou eletrônico) com assinaturas e prescrição.
Treinamento documentado da equipe e registro de EPI.
9. Boas práticas para transformar conformidade em diferencial competitivo
Comunique de forma visível que sua clínica segue protocolos e possui RT — isso transmite segurança ao tutor.
Mostre evidências: selo digital, fotos das áreas (arquivo com fotos datadas) e políticas públicas (prontuários organizados) ajudam em marketing responsável.
Eduque clientes: explique importância da cadeia de frio das vacinas, descarte de medicamentos vencidos e riscos de automedicação. Isso reforça autoridade e reduz uso indevido de antibióticos
Referências selecionadas (para leitura e comprovação)
Resolução CFMV nº 1.275/2019 — Condições para funcionamento de estabelecimentos médico-veterinários.
Manual / Estruturação de Estabelecimentos Médico-Veterinários (CRMV-SP).
Guia técnico Fiocruz — Vigilância e biossegurança em estabelecimentos veterinários.
Anvisa — informações sobre medicamentos veterinários e regras de registro/controle.
Regulamentações estaduais e orientações de licenciamento sanitário (ex.: Resolução SES/MG 7921/2021).


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